
No passado dia 12 de Março de 2026, Ana Carvalho, coordenadora do projeto InMAP, teve a oportunidade de participar como oradora no “VI Encontro Memória para Todos: História Oral nos Arquivos: Patrimonialização, Organização e Acesso” (12-13 Março 2026), que teve lugar no Museu do Design, em Lisboa (https://memoriaparatodos.pt/detail.aspx?lang=pt&cid=1…). O tema da comunicação centrou-se nas coleções de história oral em instituições de memória, reflectindo sobre as práticas atuais e seus desafios, a partir do estudo realizado no âmbito do projeto InMAP.
Com efeito, nas últimas décadas tem-se observado, em Portugal, um número crescente de iniciativas por parte de instituições de memória visando a recolha de fontes orais para preservar a memória ou documentar processos de patrimonialização do Património Cultural Imaterial (PCI). Estas iniciativas têm desencadeado, muitas vezes, a criação de coleções de história oral. No caso dos museus, por exemplo, estas coleções têm vindo a ocupar um lugar cada vez mais expressivo nas práticas museológicas contemporâneas. Em alguns casos vão-se consolidando como instrumentos para o aprofundamento do conhecimento sobre os territórios e para o reforço das relações entre museu e comunidades, contribuindo para a construção de narrativas mais plurais, inclusivas e socialmente mais ancoradas.
Em teoria, são conhecidos os desafios específicos enfrentados pelas coleções de história oral; no entanto, falta informação sistematizada sobre o desenvolvimento e o impacto dessas coleções no contexto da prática e da realidade portuguesa. O projeto InMAP – Memórias e Arquivos: Mapear o (In)tangível (2023.10222.S4P23) procurou colmatar esta lacuna através da recolha de dados sobre o panorama atual das coleções de história oral, com base numa amostra nacional que incluiu diversas instituições de memória como museus, bibliotecas, arquivos, universidades e associações do património.
O estudo InMAP considerou a documentação, a preservação digital e o acesso digital como áreas centrais de análise e inquirição, dada a sua relevância nos processos de recolha e arquivo de fontes orais. A partir de uma abordagem metodológica mista, que combinou um inquérito por questionário com a realização de entrevistas, foi possível sistematizar informação e obter um diagnóstico. Entre as conclusões do estudo, destaca-se a necessidade de investimento em recursos humanos e em equipas capacitadas, bem como de reforço técnico e de normalização de procedimentos nas áreas da documentação, preservação digital e acesso digital, que constituem eixos críticos e evidenciam uma tensão entre a riqueza e a diversidade dos acervos produzidos e as limitações estruturais que condicionam a sua gestão e o seu impacto.